Acreditara-se que a guerra seria curta, mas no começo de 1915 ficou patente que nada permitiria prever seu próximo fim. A Rússia não dispunha de meios para fazer face a uma guerra longa. Sobretudo, a inferioridade dos russos em artilharia mostrou-se catastrófica, pois as fábricas podiam satisfazer apenas um terço das necessidades militares. O governo contava com a conversão da economia russa em economia de guerra, em prejuízo das necessidades do conjunto da sociedade russa. Não podendo abastecer-se com produtos industriais, os camponeses diminuíram o fornecimento às cidades. Logo, nas grandes cidades, os preços agrícolas subiram tão depressa quanto os preços industriais. Chegaram a tal altura que em 1917 tinham atingido três a cinco vezes o seu montante em 1914 e os salários não os acompanharam.
(Marc Ferro. A revolução russa de 1917, 1974. Adaptado.)
A conjuntura socioeconômica da Rússia às vésperas das revoluções de fevereiro e outubro de 1917