A influência religiosa e material da Igreja e dos clérigos sobre a sociedade leiga aumentou sensivelmente depois do ano 1000. Ela permitiu inculcar nos fiéis uma moral religiosa centrada na noção de pecado, de penitência, de salvação, que culminou, no fim do século XII, no “nascimento do purgatório”. Doravante todo cristão podia esperar ser salvo, mas com a condição de sofrer depois da morte castigos reparadores cuja duração e intensidade dependiam de seus méritos pessoais e de missas, preces e esmolas de que seus parentes e amigos lançavam mão para a sua salvação.
(Jean-Claude Schmitt. Os vivos e os mortos na sociedade medieval, 1999. Adaptado.)O excerto refere-se