Texto 1
As grandes empresas de tecnologia que dominam o mercado digital, chamadas de big techs, prestaram grandes serviços ao democratizar a informatização e a participação política dos cidadãos. Porém, paralelamente, trouxeram no- vos problemas que exigem respostas satisfatórias. A intole- rância, o discurso de ódio, a xenofobia e o preconceito se espalharam pelo mundo, potencializados pelos algoritmos. É difícil país, isoladamente, fazer respeitar leis um suas e decisões em uma realidade na qual as empresas tecnológicas operam sem barreiras físicas ou fronteiras. As big techs têm operado no sentido de inviabilizar qualquer monitoramento ex- terno de dados de suas redes, reduzindo seus mecanismos de autorregulação. Essa tendência se justifica sob o argumento de que, por ser absoluta, a liberdade de expressão não pode ter elementos de controle. Daí decorrem dois problemas: as redes sociais se transformam em terra sem lei e operam como uma espécie de poder global, acima dos governos e instituições nacionais.
(Hubert Alquéres. “Redes Sociais e Liberdade de Expressão”. www.metropoles.com, 01.05.2024. Adaptado.)
Texto 3
Elon Musk, CEO da plataforma X, elogiou a decisão de Mark Zuckerberg de pôr fim ao “fact checking” (verificação de fatos) nos aplicativos da Meta. Em um vídeo de cinco minutos publicado no perfil do Instagram, o executivo afirmou que é essencial defender a liberdade de expressão e que a empre- sa retornará ao seu formato “original”. “Governos e a mídia tradicional têm pressionado para censurar cada vez mais. Nós construímos muitos sistemas complexos para moderar conteúdo. Mesmo que acidentalmente censurem apenas 1% das postagens, isso significa censurar milhões de pessoas, e chegamos a um ponto em que há muitos erros e muita cen- sura. Ao reduzir os serviços de checagem, vamos reduzir drasticamente a quantidade de censura em nossas platafor- mas. Isso significa que reduziremos postagens e contas de pessoas inocentes que removemos acidentalmente”, disse o empresário. Logo que o vídeo foi ao ar, Musk o republicou em sua rede social e comentou: “Isto é legal”. Agora, o Facebook e o Instagram também não terão sistemas próprios para checar conteúdos delegando essa função para os próprios usuá- — rios, mesma maneira de checagem aderida pelo X em 2023.
(Mafê Firpo. “O que diz Elon Musk sobre Zuckerberg acabar com serviço de checagem”. https://veja.abril.com.br, 07.01.2025. Adaptado.)Texto 4
Tentar regular as redes sociais para combater a desin- formação advinda de fake news sempre envolve riscos. Essa regulação tenta conter o poderio econômico das grandes empresas de tecnologia e responsabilizar plataformas como Facebook, Google, Telegram e Twitter pela disseminação de conteúdo criminoso. Há importantes problemas apontados pela literatura a respeito desses riscos. Como definir, em ter- mos práticos, a diferença entre opinião e notícia equivocada? Quando se justifica a tomada de medidas contra quem dis- semina fake news de modo consciente e deliberado? Quem está formalmente apto a tomar essas medidas? Além disso, há uma tensão entre a liberdade de expressão assegurada pela Constituição e a dificuldade de definir objetivamente a distinção entre o que é apenas uma informação equivocada e o que é uma informação falsa e de má fé.
(José Eduardo Campos Faria. “Fake news e liberdade de expressão”. https://jornal.usp.br, 13.06.2023. Adaptado.)Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumenta- tivo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: Regulação das redes sociais no brasil: necessidade ou ameaça à liberdade de expressão?