Leia o poema de Hilda Hilst (1930-2004) para responder às questões.
Que não se leve a sério este poema Porque não fala do amor, fala da pena(1). E nele se percebe o meu cansaço Restos de um mar antigo e de sargaço(2). Difícil dizer amor quando se ama E na memória aprisionar o instante. Difícil tirar os olhos de uma chama E de repente sabê-los na constante E mesma e igual procura. E de repente Esquecidos de tudo que já viram Sonharem que são olhos inocentes. Ah, o mundo que os meus olhos assistiram... Na noite com espanto eles se abriram. Na noite se fecharam, de repente.
(Hilda Hilst. Da poesia, 2017.)1 pena: martírio, pesar. 2 sargaço: alga que se acumula nas praias.
Uma das marcas da poesia moderna é a utilização de linguagem informal, que se afasta da norma culta, como ocorre no verso “Ah, o mundo que os meus olhos assistiram...” (4ª estrofe). Reescrito de acordo com a regência verbal padrão e sem prejuízo do seu sentido original, o verso assume a seguinte redação: